segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Quais os principais erros cometidos em Roteiro?

É um consenso entre leitores de roteiros do mundo inteiro que a fração de obras que se recomendam à produção varia de 1% a 3%. Em outras palavras, isso equivale a dizer que 97 em cada 100 roteiros escritos jamais serão transformados em filmes - no contexto da indústria cinematográfica.

Outro dia me deparei com um infográfico que fazia uma análise de um corpus de 300 roteiros recebidos por uma agência de talentos em Los Angeles - dos quais apenas 8 foram recomendados à produção - e da qual é possível extrair algumas conclusões interessantes.

As mais interessantes para mim são onde mais erram os roteiristas. Quando eu falo "erram" não quero dizer que existe um jeito certo e um jeito errado de contar uma história. Entretanto, existe uma maneira que se tornou hegemônica no contexto da indústria cultural - a que chamamos Narrativa Representativa Industrial (a expressão é de Jacques Aumont) - e que, embora comporte inovações, é pouco propícia a aceitar alterações radicais em seu formato e proposta.

Segundo esse estudo, o erro mais comum foi a demora para introduzir a história. Isso está ligado a uma questão central com a qual o roteirista frequentemente se depara: sobre o que é o meu filme? Não ter com clareza a resposta para essa pergunta é o fator de risco número um para tardar a entrar na história.

O segundo erro mais comum encontrado nos roteiros foi a falta de conflito consistente nas cenas - outra coisa que não me canso de repetir em minhas aulas. Se não há desejo do personagem e oposição a ele, não há conflito. E se não há conflito, não há história. Ainda assim, a quantidade de cenas que eu vejo por aí sem qualquer conflito - cenas planas e meramente expositivas... Além

O terceiro erro é, em si, uma lição para roteiristas: roteiros realizados exatamente de acordo com os manuais, extremamente técnicos, embora frios e desprovidos de significação. Os manuais de roteiro operam principalmente na esfera da Morfologia e da Sintaxe, ou seja, da natureza dos elementos estruturantes (como personagens, por exemplo) e da relação entre eles. No entanto, essas esferas são meramente teóricas e seu domínio não basta para a produção de um roteiro de qualidade.

Regras como balanço emocional, viradas a cada dez páginas, lista de funções dramáticas, Pirâmide de Freytag, etc., só servem de alguma coisa quando a serviço de uma história potente. E enquadrar a história em uma estrutura pré-definida não é garantia de funcionamento orgânico da narrativa.

Que tal aprender com os erros dos outros?

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