terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sobre formatos de roteiro

Por incrível que pareça, não existe um padrão internacional de roteiros. Cada um escreve como bem quer, como reconhece Greg Beal, autor do guia de formatação de roteiros da Academia (aquela do Oscar). Apesar disso, existe um formato que se consagrou na indústria cinematográfica norteamericana e que foi reproduzido em cinemas de diversos países.

Esse formato utiliza a tipografia e a diagramação da máquina de escrever, em que os primeiros roteiros foram compostos - durante meio século - para circulação. A maneira de se contarem as páginas, de se numerarem as cenas - tudo vêm da máquina de escrever, disposto de maneira que, de modo geral, uma página de texto corresponda a um minuto de imagem.

Em 1991, o modelo adotado pela indústria passou a ser o gerado pelo Final Draft - não só o cinema mas também o teatro mainstream dos Estados Unidos passaram a utilizar o Final Draft porque ele reproduzia com precisão o modelo consagrado da máquina de escrever, aliado aos benefícios da escrita inteligente, e ainda por cima gerando arquivos compatíveis com a produção informatizada.

A televisão, tal qual o rádio, desenvolveu sua formatação própria para roteiros. A própria TV Globo usou durante muitos anos (e penso que ainda use) roteiros gerados no Word a partir de uma Macro programada para cada novela. Entretanto, o segmento da produção televisiva que vem buscando aproximar a linguagem de seus produtos da cinematográfica, tem utilizado exclusivamente o formato do Final Draft. O roteiro de Breaking Bad é um exemplo disso.

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O que é Master Scenes?

Por algum motivo que desconheço, popularizou-se no Brasil o nome "Master Scenes" para indicar o formato clássico de roteiro, que reproduz a estética da máquina de escrever e que faz uma página corresponder a um minuto. Nunca encontrei referências a esse nome na literatura especializada americana, nunca vi um roteirista americano se referir assim à formatação de roteiro, etc. A título de curiosidade, lá eles chamam de "Standard Script Format", mas não dão muita bola para isso.

Desconfio que o culpado disso seja o Hugo Moss e seu clássico livreto de formatação de roteiros. Mas isso é apenas uma especulação minha...


Eu tenho um roteiro em Word e quero passar para FDX, é possível? Como reformatar um roteiro?

Sim, é possível, mas depende de como está escrito. Se você o escreveu no Word, utilizando uma Macro, ou formatou manualmente em "Master Scenes", sua melhor opção é salvar um PDF e transformá-lo em FDX seguindo os passos da próxima pergunta. Mas se seu roteiro está escrito em um formato mais, digamos, livre, eu recomendo o uso da ferramenta "Reformatar" do Final Draft.

Funciona assim: você abre um documento novo, cola o seu texto e clica em "Reformatar". A partir daí, o Final Draft vai, bloco por bloco de texto, perguntando a que categoria pertence: personagem, cabeçalho, diálogo, ação ou transição. Para cada um, ele designa um número, cuja tecla basta você pressionar antes de ele seguir para o próximo bloco de texto. Não é muito rápido (toma algumas horas para um roteiro de 90 páginas) mas é bem mais rápido do que qualquer alternativa manual. Também pode requerer alguma revisão adicional, dependendo do quão livre tenha sido a escrita do roteiro.


Como converter roteiros em PDF para FDX?

Essa é fácil, mas me levou um bom tempo para descobrir. Você tem um roteiro formatado corretamente em PDF e precisa fazer alterações, a melhor maneira de fazer com o que o Final Draft leia o seu roteiro como um arquivo inteligente é passá-lo pelo Writer Duet. Como eu já disse em outro artigo, o Writer Duet é uma plataforma online colaborativa e gratuita para edição de roteiros. Depois de muitos testes, descobri que o Writer Duet importa arquivos em PDF e seu algoritmo entende o que é personagem, o que é diálogo, o que é ação. Depois é só pedir para baixar em formato FDX e... voilá!


Dá para converter CELTX para FDX?

Utiizando a mesma ferramenta, também é perfeitamente possível importar os arquivos do Celtx no Writer Duet e fazer o download como FDX. Notas, comentários, página título e outras informações que não o texto central do roteiro eventualmente se perderão, mas o principal é importado com eficiência e correção. Quem, como eu, tem um grande arquivo de curtas e primeiros escritos em Celtx, vale a pena passar por esse processo.



"A Conversão de Saulo", (1542-1545), de Michelangelo