quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Um ano bom!


A contagem do tempo é tão arbitrária quanto o próprio tempo. O tempo só existe a partir de quando há gente a dar conta dele, a despeito de tudo que sempre houve, suspenso e atemporal. E como gente é plural, são múltiplas as contagens, cada qual com seu valor e todas com o único propósito de contar, de demonstrar que o tempo passa. E com isso vêm celebrações, presentes na imensa maioria das culturas, lembranças cíclicas de que o tempo passa.

Se tão importante marcar a passagem do tempo, é porque ela traz consigo a certeza de o que passou faz parte do passado. Parece óbvio mas não é.

O casal que exibe o cadáver de seu relacionamento e sua recusa em enterrá-lo, o deputado imbecil que tenta impedir pessoas de orientação sexual diversa tenham seus direitos de cidadãos reconhecidos, o que declara guerra ao terror ou às drogas ou ao vizinho: todos figuras ridículas, anacrônicas, presas no passado, reféns de dogmas que - a despeito do seu valor - fazem parte do passado.

Se cinquenta anos atrás era proscrito o que fugia do sexo convencional e heterossexual, se dava cadeia fumar maconha, ou se uma mulher era presa pela lei a um casamento falido, muito bem. Nos dias de hoje, isso é absolutamente inaceitável e sequer deveríamos estar discutindo.

Da mesma maneira, israelenses e palestinos precisam parar de negociar as negociações - é preciso ir às questões essenciais. Será preciso também que os dois lados façam concessões, não com base no passado e nas bandeiras defendidas por seus pais e avós. É preciso que israelenses e palestinos negociem a paz com base no presente e no que esperam do futuro.

É insustentável tornar o presente menos agradável, menos gentil, por causa do passado, da tradição. Que com o passar do tempo aprendamos trazer do passado só o que contribui para um mundo melhor, e que sepultemos o resto no ocaso.

´Eid Mubarak, Shaná Tová. Uma festa abençoada, um bom ano. Eis o que desejo.