domingo, 10 de outubro de 2010

Conta dos anos

E naquela mesa inocente de bar, P. me contou das noites em claro que ele passou num bar que ficava num beco de uma cidade do interior.

Contou-me que nesse bar, seu amigo, o dono, umbigo eternamente encostado o balcão um dia lhe de um disco de presente. Seu passatempo favorito era jogar, com apostas crescentes, jogos de azar contra os cada vez mais bêbados frequentadores. E, nos intervalos, acinzentar manhãs despertas com cinzas que vinham de longe, bolívias inacreditavelmente distantes.

P. ouvia o disco que lhe fora presenteado por seu amigo dono do bar. Sentia saudades imemorias de coisas que ele nunca vira, de que jamais ouviria falar. Faziam parte de outra vida que ele nunca viveria, ou que talvez tivesse vivido numa outra existência.

Cada um comporta em si todas as experiências do mundo, ponderou P., já de manhã.