domingo, 2 de agosto de 2009

Da doçura da manhã

“Homem nenhum, até que tenha sofrido a noite, sabe o quão doce e o quão linda pode ser a manhã a seus olhos e coração.” [Drácula, Abraham 'Bram' Stoker, cap. 4]

  

Hoje não levantei cedo. Meu relógio circadiano bate confuso como a bateria de uma escola de samba da Suécia ou da Polônia. Passei a noite entre a procrastinação e o trabalho interminável diante da tela brilhante do computador. A manhã já ia tarde quando resolvi ir à feira livre que há, aos domingos, na praça dos paraíbas, nesta Copacabana.

Não me lembrava de como era um domingo de manhã em Copacabana. Principalmente um domingo de sol. O recortado das sombras nos prédios, os andares mais altos iluminados - e provavelmente quentes ao limite do insuportável; o vento lambendo os coqueiros na praia; o mar - que vi de longe, descendo a Figueiredo rumo à feira - azul, azul. Velhinhas muchibentas enfiadas em maiôs bordados e seus velhinhos magricelas carregando-lhes a cadeira dobrável.

Nas calçadas das ruas estranhamente vazias para o dia, para quem se acostumou com os dias de semana, há um cheiro de protetor solar e de maresia que vai sendo trocado pelo de peixe e pastel frito conforme vou me aproximando da feira.

Compro um quilo de uvas sem caroço, algumas ervas para um banho, como um pastel e volto zumbizando para casa. Não, ainda não é hora de dormir, diz meu sádico relógio biológico.