sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sobre limites

["O mundo passa por mim todos os dias / Mas eu passo pelo mundo uma vez" ("O mundo é assim", de Oswaldo dos Santos, o Alvaiade (1913-1981)]

Não serei eu o advogado de coisas pequenas, nem de grandes causas perdidas. Não defendo prazeres comezinhos nem dependem de feitos grandiosos os meus prazeres vitais. Mas não digo que já não fui assim.

Já fui daqueles que sentam na calçada para beber cerveja nem tão gelada assim com amigos nem tão amigos assim. Já virei noites alimentando chiqueiros com minhas pérolas poucas. Também já me vesti de dourado achando que a fantasia faz o carnaval. Orgias nababescas vazias de seres humanos, luxo e ópio.

Antes de tudo, gosto de conforto. Conforto e delicadeza, seja no alto do morro ou no fundo de um riquíssimo poço, seja lá ou seja aqui, seja num bingo em Madureira ou no El Tigre. Delicadeza e conforto estão em olhos e almas, mais do que em mapas e carteiras.

Gosto de prazeres intensos, de pessoas intensas, que dominem até mesmo a ciência de se fazer absolutamente nada com toda a intensidade do mundo.

Gosto do muro dos limites, para que eu ande ora de cada lado dele, alternadamente. De que valeriam as estradas sem um limite de velocidade que eu possa, e deva, romper? E de que valeriam também meus limites se eu não souber extrair prazer de respeitá-los?

E, sendo assim, que me dirá o contrário?