sábado, 6 de dezembro de 2008

"Não sou tua"

Não sou tua, em ti não me perdia,
nem me perco, embora eu fique a desejar
perdida como uma vela ao meio-dia,
perdida como neve em alto mar.

Tu me amas, e eu fico a te achar
Um espírito de beleza e lucidez,
Mas eu sou eu, e eu fico a desejar
perder-me como a luz se perde na luz.

Mergulha-me no puro amor -- a extinção
de meus sentidos, deixa-me surda e cega,
Arrastada pelo teu amor, um furacão,
Uma vela tremulando no vento.

(Sara Teasdale*, "I am not yours" - Tradução de Rafael Leal)

(Gustav Klimt, "O Beijo", 1907, acervo da Galeria Austríaca - Viena)


Sara Teasdale (1884-1933) foi uma poeta lírica americana. Dona de uma obra vencedora de prêmios importantes, como o Pulitzer e o prêmio da Sociedade Poética Americana, sua vida foi marcada por fortes desilusões amorosas e por uma frágil saúde. Dois anos após o suicídio de seu grande amor, também ela cometeu suicício, tomando uma overdose de remédios para dormir.