terça-feira, 11 de novembro de 2008

As cartas

"E as lágrimas que choro, branca e calma, ninguém as vê brotar dentro da alma: ninguém as vê cair dentro de mim." ("Versos Íntimos", Florbela Espanca)

É verdade, são estranhas as cartas dela. Mas não menos estranhas são as minhas caretas, os meus sentimentos, as cartas minhas. Comprei uma braçada de flores e também as flores me pareceram estranhas. Caminhei por uma rua estranha, cruzei com pessoas estranhas sorrindo sorrisos estranhos. No espelho do elevador, nada era mais estranho do que meu rosto. As lágrimas invisíveis traçavam-me a pele e deixavam a sensação de que, como o choro contido, é estranho o amanhã.