terça-feira, 7 de outubro de 2008

Incursões poéticas pela adolescência - I

Cantava-me meu avô, e eu inda menino
numa velha cantiga sobre o mar
a história de um barquinho pequenino
que não saía não saía do lugar
passavam uma duas três quatro cinco seis
sete semanas
e o barquinho não saía não saía do lugar.

A cantiga que se gravou na minha alma,
que de tão chata me fazia ninar,
ele sempre cantava uma outra vez
e o barquinho não saía do lugar.

E hoje, bem depois, na cantiga sentida,
que me fazem falta o seu velho barquinho,
sua presença terna e seu carinho,
eu sinto que é a vez da minha vida
que não anda, não sai mais desse lugar.

("Naufrágio", escrito em 1999.)

("Noite Estrelada sobre o Ródano", Vincent Van Gogh, 1888 - Acervo Museé d´Orsay, Paris)