domingo, 6 de abril de 2008

Num futuro hipotético

["A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida." Vinícius de Moraes, poeta, músico e diplomata.]


Rio de Janeiro. Algum lugar com vista para Baía de Guanabara. Venta bastante.

- Eu não acho justo a gente ter que se separar. Eu levei minha vida inteira para te encontrar, e quando eu te encontro, vem a vida e te leva de mim.
- Mas você não tem que se preocupar. A gente não precisa se separar. Nem sofrer com isso por enquanto. Nem sei ainda se eu vou, nem é certo se vão me chamar. E mesmo que chamarem, é uma questão de tempo até ficarmos juntos novamente.

Silêncio. Ele continua:

- Você é jovem, linda, tem muito o que viver. E muito ainda o que viver ao meu lado. Antes e depois. Presente e futuro. O pior que pode acontecer é a vida nos obrigar a fazer um intervalinho. Eu sou teu e nada vai mudar isso. E você será minha sempre que quiser. Histórias de amores imortais a gente conhece aos montes. Romeu e Julieta... não, muito trágico. Hmmm, Abelardo e Heloísa... bem, tambem não é um bom exemplo, eles morrem no final. Dexovê...
- Você fica lindinho fazendo esses monólogos.

Beijam-se.

- Meu amor, nossa história não é sobre despedida. Nossa história é sobre eternidade. É lifetime. É jornada. Só abrimos mão dela se quisermos. E eu não quero. A gente só precisa pensar de que forma seremos felizes, isso é inevitável. Hoje a gente vive num mundo sem distâncias. No tempo da saudade, acho que a gente nem tinha nascido. Você certamente não.
- Até parece que você é muito mais velho.
- Muito não, mas um pouco considerável. Olha só, para tudo nessa vida dá-se um jeito. Outros casais tão apaixonados como nós já passaram por isso, sobreviveram e continuam cada vez mais felizes, e juntos. Ou seja, a gente vai dar um jeito. Se é que será preciso. Há tantas coisas...
- Me dá um beijo?

Beijam-se novamente.



Num grande plano geral, os namorados, profundamente integrados à paisagem estonteante, sabem que a beleza tamanha à sua frente e a felicidade tamanha que vivem não existe à toa.