terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Um pouco além de Barthes

Num passado remoto, nossos ancestrais usavam as patas para correr e a boca era o instrumento da predação. Quando passamos a correr apenas sobre as patas traseiras, evolução ainda responsável pelas lombalgias que sentimos, as patas dianteiras, que convencionamos chamar de mãos, tomaram o papel da boca, de apresar nosso alimento, relegando-a a um outro papel.

Livrada do ofício da predação, a boca passou a falar. Desenvolveu-se o aparelho fonador e com ele a comunicação verbal. Barthes acrescenta o beijo a esta equação. O aparelho fonador é o mesmo aparelho osculatório. O homem que fala, beija.


Por isso, não acredito nem um pouco em teu silêncio. Tens a necessidade de falar, de comunicar-se com quem quer (precisamente, também com quem possa, além de querer) te entender. Tens a necessidade de entregar-te a quem te queira e te possa entender, ainda que tu não queiras ou possas.

E tome dor nas costas.