sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Minha Cara Amiga

Aconteceu que fomos pegos. Várias e seguidas vezes pelo mesmo trem.

Primeiro, quando fomos surpreendidos pelo súbito, inesperada e inequivocamente ligados. Depois, inevitavel e imperativamente separados. Por fim, jogados a este frágil mar a que chamamos de vida, vieram os sentimentos inexplicáveis - como costumam ser os sentimentos - e, porque não?, controversos.

E de que vale chorar o que passou, se tanto há a caminhar?

Admiro intensamente sua força. Aliás, tanto há a admirar em você, que não me restam dúvidas de que, a despeito do que você sente, podemos ser grandes amigos. Gosto imensamente de você e disso não depende você gostar ou não de mim, de querer ou não conviver comigo. Essa é uma decisão inteiramente sua, e, em que pese, afirmo publicamente que gosto de você intransitivamente.

Acredito que não somos nós os humanos o ápice da Criação, somos tão somente parte dela. E observando - ofício primordial do artista a observação - à nossa volta, notamos facilmente que a vida é uma sucessão cíclica de acontecimentos. E que, por mais longos que sejam os invernos, eles nunca deixaram de ser sucedidos por primaveras.

É preciso conservar o exemplo dos ursos, que protegem-se durante o inverno de modo que estejam saudáveis e dispostos a colher os frutos da primavera que, invariavelmente, se avizinha.


Por fim, peço ao Criador que nos permita partilhar, todos juntos, os folguedos de tantas primaveras que virão, ainda que pontuada por tantos invernos.

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