segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Lamas

Depois de um dia cansativo, sentou-se na mesa de sempre no Lamas. O garçom, que o conhecia há anos, trouxe o de sempre, e, percebendo a melancolia que tomava conta de seu antigo, embora jovem, cliente, buscou fundo na memória um poema, justamente chamado Lamas, do mestre dos mestres Aldir Blanc.

Dizia assim:


Ter coragem de olhar
pela última vez
e mentir calmamente:

quem sabe?... Talvez...
como se a última vez
ficasse pra outra vez.


Sem querer (ou por querer), o garçom tinha acertado em cheio a razão da angústia.
Ainda não fora desta vez.

Um comentário:

  1. Aldir é realmente o mestre!
    E a duvida algo constante e inevitável na vida.
    Bonito texto

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