terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Dois Mestres

Perdido como ele estava, lembraram-lhe dois mestres, dois paradigmas que o fizeram enxergar a situação mais claramente.

Mark Twain, que lhe entrara na vida na infância, como entra na de todos, e revelou-se-lhe mais tarde um mestre na acuidade dos pensamentos, para além do genial escritor infantil que era. Dizia: "Devemos ter cuidado para absorver apenas as lições adequadas de nossas experiências."

Era o enunciado pomposo do paradigma que contava que um certo gato, depois de sentar-se numa boca quente de fogão para furtar alguma comida, decidiu nunca mais chegar perto de fogão algum.

Sir George Bernard Shaw, outro mestre a quem ele recorria freqüentemente, no desespero filosófico constante: "O homem sensato se adapta ao mundo. O homem insensato persiste em adaptar o mundo a si mesmo. Daí que todo o progresso depende do homem insensato."

Ele sentia-se felizmente insensato. Não ia se entregar, já havia feito concessões demais. Isso lhe lembrara um velho professor que repetia uma história grega, que contava que Sócrates perguntou certa vez aos seus alunos o que era o heroísmo.

- Heroísmo é dar a vida pela pátria - teria respondido Platão.

- E se você pudesse fugir da batalha e, assim, fazer com que sua pátria ganhe a guerra? Isso não seria heroísmo? - argüiria de volta o mestre.

"Heroísmo," completa Bernard Shaw, "é fazer o inimigo morrer pela pátria dele, não você pela sua."

E era isso que ele estava disposto agora a fazer.

2 comentários:

  1. Para você que cansou da sensatez, então seja insensato.

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  2. Quando a gente se queima, como o gato, se assusta... Mas as vezes a culpa foi nossa msm de ter ido com mt cede ao pote, ou não... Mas vale a pena pensar.

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