quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Conselhos

Ele tinha muita sorte. Logo um grande mestre do ofício tinha gostado dele e tinham se tornado amigos. Gostavam de contar histórias sobre o mesmo tema, as infinitas relações entre homens e mulheres, a observação atenta da vida, a mágica arte do encontro. E quando a vida ou o cinema traziam-lhe situações complexas, ele preferia ajoelhar-se diante da experiência de seu mestre e ouvir o que ele tinha a dizer. E ele sempre tinha algo genial a dizer.

Ele o encontrou quase por acaso num bar que ambos costumavam freqüentar. O mestre, um diretor já beirando os stenta, ouviu a história com a devida atenção. Fosse a vida ou fosse um filme, era indiferente, era indiscutivelmente a velha história do encontro entre duas pessoas que se queriam e não podiam ficar juntas. "Os problemas são do tamanho de quem os vê", ele pontuou, citando Jung, "e seria bom se soubéssemos dar atenção apenas aos grandes problemas."

Ele tinha para ele que a paixão era uma angustiazinha que dá no peito da gente e a gente pode deixá-la crescer, atravessar o conturbado período da puberdade para que se torne uma bela mulher e tornarmo-nos amante dela, ou podemos apertá-la pequenininho no peito, que dói enquanto cresce, mas pára de crescer e começa a minguar até que morre. Ele não queria que essa paixão morresse, e sentiu-se uma criança quando o mestre lhe perguntou "você já disse a ela que está apaixonado?".

Claro que ele não tinha dito. Dissera-lhe pouca coisa, ouvira dela pouca coisa também. Entendia muito pouco do lado dela, queria sinceramente poder entender mais. Queria extrair prazer da vida, queria viver belas histórias, queria que isso tudo fosse dividido com alguém especial... e se não fosse ela, não teria problema. Mas se fosse ela, ele deveria muito à vida... presentes como esses a vida dá com extrema avareza.

O mestre lhe apontou um caminho possível, essa história era um filme e de filmes eles entendiam.

2 comentários:

  1. Não sei de quem e com quem você fala.
    Mas , porque a data do seu texto coincide com o dia em que nos vimos de relance (e se assim foi é porque não me permiti mais do que isso),pensei que pudesse ser comigo.
    Tantos anônimos comentam os seus textos (ou seria sempre o mesmo anônimo comentando várias vezes?) que quero que pelo menos você tenha alguma certeza: este é apenas o segundo comentário que faço depois que descobri este blog, embora o leia com frequência.

    um beijo...........

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  2. "tudo dito,
    nada feito,
    fito e deito"
    leminski

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