sábado, 26 de novembro de 2005

Decisões

Ele nunca estivera tão dividido antes.

A vida lhe acenava, pela primeira vez em alguns anos, com a possibilidade de vencer a inércia. Ele já não sabia se, apesar de desejar intensamente, ainda era capaz de apaixonar-se novamente.

A situação toda era muito confusa: ambos eram comprometidos, e muito embora ele, àquela altura, já fosse um homem livre, ela ainda não sabia.

Encontraram-se numa festa. Havia um clima tenso entre eles, sólido que qualquer pessoa atenta poderia perceber. Seus olhos procuraram-se e encontraram-se e fugiram-se tantas vezes ao longo da festa, que a segurança habitual dele faltava-lhe às vezes. Ele tentava negar inutilmente que isso não estava acontecendo, mesmo tendo tanto sonhado com isso.

No pouco que conversaram, ela cobrou-lhe decisões. Era como se ela tivesse lido nos olhos deles que ele já não estava mais tão dividido. Mas ainda assim, ele sabia que deveria escolher claramente aquilo que, de forma ou de outra, já havia escolhido.

Ele saiu da festa cheio de dúvidas. Ela tinha o dom de instigá-lo, de provocar-lhe reflexões. Ele sequer sabia se estava sofrendo.



Ele chegou em casa já sem dúvidas e estranhamente feliz.

2 comentários:

  1. por que você não me disse que tinha um blog ?

    ResponderExcluir
  2. estranhamente feliz agora também.

    ResponderExcluir