quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Nem Cais, Nem Barco

É que tudo começa do começo. E esse começo foi um nome e daí a chance de homenagear, justamente, o mestre dos mestres.


O meu amor não é o cais
Não é o barco
É o arco da espuma
Que, desfeito, eu sou...

É tudo e coisa nenhuma
Entre a proa e a bruma, o amor
É a lembrança que enfuna
Velas na escuna que naufragou...

Não é no livro antigo o olor
De rosa que eu recebi
Não é a ode, a loa
Em Fernando Pessoa
Mas é a nostalgia
Do que eu não li...

Não é o camafeu
Exposto na vitrine, em loja de penhor
Mas é o que doeu
No peito feito um crime
Ao homem que o trocou...

É o olhar de um instante
Fixando o amante
Em plena traição
Que há em noivas degoladas no caramanchão...

É o vulto de mulher
Há muito tempo morta
Em frente à penteadeira...
É o vazio que a
Ausência dela ocupa ao ver sua cadeira...

A chuva dessa tarde trouxe Tito Madi
E apenas eu ouvia...
Ah, o amor é estar no inferno ao som da Ave Maria!

(Aldir Blanc)

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